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02-05-2019

Antes de falar do Pastel de nata é necessário esclarecer algumas dúvidas existentes entre o Pastel de Nata, nomeadamente com o nome Pastel de Belém.
Existem muitas semelhanças ou até mesmo poucas diferenças, e acredita-se, erradamente, que o Pastel de Nata é uma cópia do Pastel de Belém.

De facto, o Pastel de Belém é confeccionado única e exclusivamente na Fábrica dos Pastéis de Belém desde 1837, em Belém (freguesia do concelho de Lisboa) e cujos segredos de confeção têm sido guardados a sete chaves na sala dos segredos da confeitaria. A elevada qualidade no fabrico, a localização privilegiada no centro turístico de Lisboa e a sua própria história, em que os monges do Mosteiro dos Jerónimos encontraram no pastel uma oportunidade para fazer subsistir a ordem religiosa, permitiram popularizar o Pastel de Belém e criar uma categoria do pastel de nata cuja marca encontra-se registada pela Fábrica dos Pastéis de Belém.

Na verdade, o Pastel de Nata é um termo genérico e abrangente onde o Pastel de Belém está inserido.

A origem do Pastel de Nata é muito anterior à do Pastel de Belém e pode ser encontrada em vários documentos.

O primeiro registo encontra-se no Livro de Cozinha de Infanta D. Maria de Portugal (1538-1577), neta de D. Manuel I, filha de D. Duarte, que não podia imaginar que a sua receita dos «Pastéis de Leite», publicada no resguardo da sua escrivaninha na segunda metade do século XVI, estaria a dar início a uma saga gastronómica de Portugal pelo mundo.

Este pastel de leite é a ligação para o atual pastel de nata, embora a massa exterior não seja folhada. Um pastel mais consistente, de massa meia areada, cujo recheio é muito semelhante ao que temos hoje em dia, e inclusivamente cozido nas forminhas.

Mas a primeira referência ao nome dos pastéis de nata aparece no século XIX, no mosteiro de Odivelas, escrita num caderno que resistiu até aos nossos dias nas mãos da última freira de Odivelas que faleceu em 1866, D. Bernardina da Conceição. Nesse caderno, a primeira página é dedicada aos pastéis de nata que apresenta uma versão para servir quente e a outra fria, em que a diferença assenta na canela que é colocada no recheio.

Porém, história à parte, não há café ou pastelaria portuguesa que não tenha Pastéis de Nata na sua montra. São uma das principais atrações turísticas, estão entre as sobremesas preferidas dos portugueses e têm ganho fama um pouco por todo o mundo, tornando-se uma jóia gastronómica como o vinho do porto e o fado.

Com a globalização do mundo e o encurtamento dos mercados, este doce está na Rússia, nos Estados Unidos, na China, Japão, África do Sul, Austrália, acessível em cafés, pastelarias, supermercados e lojas gourmet.

Nos Estados Unidos conhecem-nos por “egg tarts”. Na Ásia, por “portuguese egg tarts” e nas ruas de Macau por “pou táh”.Na Austrália, por custard tarts. No Reino Unido, por “portuguese custard tart” ou “natas”. No Brasil, “pastéis de belém. Os pastéis de nata são portugueses e, provavelmente, a sua maior internacionalização (assim como do Cristiano Ronaldo).

Mas então o que são pastéis de nata?

O “pastel de nata” ou simplesmente “nata“ ao balcão de uma confeitaria portuguesa (que apesar do seu nome, não contém nata na sua receita), é composto por uma massa folhada bem estaladiça e   um recheio preparado com o trio típico da confeitaria portuguesa açúcar, leite e gemas de ovos, ao que também é possível acrescentar-se um aromatizante, como raspas de limão ou baunilha.

O recheio do pastel de nata não pode ser demasiado doce e tem de apresentar sabores equilibrados, a massa tem de ser bem bronzeada e pouco gordurosa. O tem de ser tão bom à saída do forno como “frio” à temperatura ambiente. Normalmente é servido polvilhado com canela e açúcar em pó. O seu fabrico requer uma boa técnica pasteleira.

Como produzir um pastel de nata?

“Fazer o simples é difícil” é uma expressão que se ajusta, perfeitamente, à forma de confecionar o pastel de nata. Eis os principais passos:

Massa folhada

  • Reunir farinha, água, margarina e sal na amassadeira espiral para amassar durante cerca de 10 minutos;
  • Adicionar a margarina e dar voltas e mais voltas no laminador, até que fique bem fina;
  • Preparar os rolinhos de massa, cortar e levar à prensa de massa para que as unidades de massa sejam moldadas nas formas de metal ou de alumínio;

Recheio

  • Levar o leite, o pau de canela, casca de limão, e sal a ferver;
  • Adicionar o açúcar com a farinha, deixar levantar fervura. Depois de frio adicionar as gemas de ovo, de seguida encher as formas

 

O típico pastel de nata deve ser ficar “queimadinho”, bem cozido entre 300 e 350 graus de temperatura, criando aquela bolha de ar preta na parte superior do creme. Porém, como tudo, há quem prefira o pastel menos queimado e com o creme menos cozido.

A versatilidade do pastel de nata

Uma das curiosidades do pastel de nata é que é um doce que se pode adaptar à cultura alimentar de cada país, região, consumidores e mesmo até à casa que o produz, ajustando-se à sua identidade.

Em alguns países asiáticos, o pastel de nata tem muito menos açúcar. Já no Brasil a proporção de açúcar é maior. Há quem adicione limão para conferir um sabor mais refrescante ao pastel, mas há quem diga que o principal segredo está na massa folhada.

As miniaturas de nata ganham muitos adeptos em eventos temáticos, os mais gulosos preferem as versões XL e os que gostam de partilhar escolhem as embalagens de 6 unidades para oferecer aos amigos.

Para além da dimensão, a forma do pastel também difere, existem formas mais baixas, outras mais altas, com o diâmetro da base maior ou menor, e também com várias inclinações que podem transformar o produto, Durante os últimos anos, têm sido criadas outras referências do pastel de nata, nomeadamente o pastel de nata de bacalhau que une duas grandes iguarias portuguesas, o pastel de nata de chocolate, de cereja do Fundão, de maracujá, de limão, sem açúcar e versão vegan com ingredientes mais naturais.

O pastel de nata é uma iguaria assente na história de Portugal, inteiramente dominada pela arte dos pasteleiros portugueses e que promete adocicar as nações de todo o mundo.



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